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Consulta de retorno e reavaliação de antidepressivos

Acompanhamento

Com antidepressivo, a consulta que mais decide o resultado não é a primeira. É a segunda. É nela que se descobre se a dose foi suficiente, se o efeito adverso vai passar, se o tempo de uso já permite alguma conclusão e se o caminho escolhido foi o certo.

Mesmo assim, o retorno é a consulta que as pessoas mais deixam de marcar.

Por que o retorno importa tanto

Antidepressivo não age como analgésico. O efeito sobre humor e ansiedade costuma levar de duas a seis semanas para aparecer de forma consistente, e nesse intervalo acontece algo cruel: os efeitos adversos chegam antes do benefício.

Enjoo, dor de cabeça, alteração do sono e inquietação costumam surgir nos primeiros dias. A melhora, não. Quem não é avisado disso interpreta o desconforto inicial como prova de que o remédio não serve, e para. Essa é, de longe, a causa mais comum de abandono precoce de tratamento.

O que o médico avalia no retorno

A partir daí, as saídas possíveis são manter e aguardar mais tempo, ajustar a dose, associar outra abordagem, trocar o medicamento, encaminhar para psicoterapia ou planejar a redução quando o quadro já está estável há tempo suficiente.

Sobre reduzir ou parar

Essa decisão é clínica e tem tempo próprio. De forma geral, interrompe-se cedo demais com muito mais frequência do que tarde demais, e a recaída costuma vir dessa pressa.

Quando a redução é indicada, ela é gradual e planejada. A interrupção abrupta de alguns antidepressivos, principalmente os de meia-vida curta, provoca sintomas de descontinuação: tontura, sensação de choque, náusea, irritabilidade, alteração do sono. Não é dependência, mas é desconfortável e assusta quem não foi avisado.

Por isso vale a regra simples: não pare por conta própria, nem quando estiver se sentindo muito bem. Sentir-se bem é o objetivo do tratamento, não a prova de que ele não é mais necessário.

O retorno cabe na teleconsulta

Sim, e com folga. A avaliação em saúde mental é clínica, baseada em entrevista e em escalas validadas, e nada disso depende de exame físico. O que a consulta a distância pede é tempo e uma conversa bem conduzida.

Existem exceções que precisam de presencial imediato: ideação suicida com risco iminente, episódio psicótico agudo, agitação grave. Se você está em risco agora, procure a emergência mais próxima, ligue 188 para o Centro de Valorização da Vida, que atende 24 horas e é gratuito, ou acione o SAMU pelo 192.

O que levar para o retorno

Perguntas frequentes

De quanto em quanto tempo devo retornar?

No início do tratamento o intervalo costuma ser curto, porque é a fase de ajuste. Depois de estabilizado, espaça. Quem define é o médico, conforme o seu caso.

Posso só pedir a receita sem consulta?

Não. A prescrição decorre de uma avaliação. Sem avaliação, não há como saber se aquela dose ainda é a adequada.

Antidepressivo causa dependência?

Não no sentido de causar compulsão pelo uso. O que existe é a síndrome de descontinuação quando a parada é abrupta, e é por isso que a redução é feita de forma gradual.

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Conte há quanto tempo você está em tratamento e o que mudou desde a última avaliação. É disso que sai a conduta.

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Revisão clínica: Dr. José Henrique Sandoval Gonçalves, CRM-DF 23826, especialista em Clínica Médica e em Medicina de Família e Comunidade. Conteúdo informativo, que não substitui a consulta médica. A conduta em cada caso depende de avaliação individual, e a prescrição acontece apenas quando há indicação clínica.